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Rebel Manifesto

Publicado por Dostoiévski | 26/01/2012 @ 19:01 em Cidadania, Direito, Internet, Meio Ambiente, Política |

Para que a Volkswagen saia do lado negro da Força e dê uma chance ao nosso planeta.

Visite o site, junte-se aos outros e veja a segunda parte do vídeo.

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Papéis e Atores

Publicado por Dostoiévski | 26/01/2012 @ 17:37 em Cidadania, Direito, Filosofia, Literatura, Política |
Recebi de uma grande atriz, Arlete Salles, uma mensagem lembrando que, ao classificar como ator um ministro mentiroso, eu ofendia a classe artística. Ela teria razão caso não tivéssemos em mente que as artes foram engendradas pela vida e não o contrário. Como diz Ferreira Gullar: a vida não é suficiente (e por isso precisamos das artes).

A “vida real”, com seus papéis (e funções) bem marcados, como o de rei, rainha, bispo, plebeu, pai, mãe, trabalhador, ministro, marido, político, professor etc… existe como o “aqui e o agora” do qual não podemos escapar. Esse foi o “princípio de realidade” que simultaneamente desenvolveu a dança, a musica, e toda a dramaturgia que permite ver a vida como ficção: como alguma coisa que permite renascimento, compaixão, redenção e plenitude. No teatro, mente-se quando se representa um papel; mas um ministro mentir, um presidente abusar do seu cargo ou um delegado mandar matar não ocorre num palco onde a peça se repete todo dia e na qual os mortos (que fingem morrer) voltam a viver porque aquilo não é coisa de verdade, mas de novela. No drama, há um inicio, um meio e um fim; mas a vida só termina para os mortos: os que deixam o palco definitivamente.

Insisto em falar de atores e papéis para focalizar um tema fundamental da democracia. A velha oposição entre esquerda e direita acabou; a segmentação petista clássica entre nós, os do bem, e eles, os do mal, liquidou-se com o mensalão e toda essa mentirada ministerial envolvendo as ONGs como indústria. Hoje, o desafio é superar o muro entre transparência e obscuridade; entre o legal e o moral; entre a ética que enobrece e o poder que brutaliza. Entre o estado e a sociedade para fazer com que ambos tenham como referência exclusiva o Brasil como um todo, transcendendo vaidades pessoais e escusos interesses partidários.

Estamos fartos de testemunhar picuinhas do poder, motivos do poder, desculpas e blindagens partidárias do poder que secam oceanos de dinheiro e tornam inimputáveis certas pessoas e cargos. O que dizer quando a presidente decide bater de frente com a sua Comissão de Ética?

Queremos uma coletividade integrada e íntegra. Nela, o Estado fala com a sociedade por meio de uma maquina administrativa, guiando-a nos seus projetos e conflitos; mas ele também ouve a sociedade quando ela quer legislações (Ficha Limpa, por exemplo), deseja apurar custos e, acima de tudo, quando ele demanda bom-senso.

Queremos que sociedade e estado estejam submetidos a um mesmo código de ética. Não é mais possível conviver com uma máquina estatal cujas engrenagens e atores estão acima do bem e do mal. Não precisamos de pais e mães, exigimos um governo de presidentes, senadores, deputados, governadores, magistrados, prefeitos, procuradores, policiais, ministros e corregedores responsáveis – conscientes dos seus papéis e enredos.

O Brasil precisa mais de um projeto que integre pessoas e papéis do que de planos mirabolantes e óbvios porque são inexequíveis. Um país rico é, sem dúvida, um país sem pobres e famintos, mas é sobretudo um país no qual as instituições destinadas a liquidar com a indigência e a fome trabalhem com afinco e sejam dirigidas por gente honesta.

Estou falando no deserto? De modo algum. Numa importante entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” (em 28 de novembro), José Eduardo Martins Cardozo, nosso ministro da Justiça, toca em alguns destes pontos com claridade e veemência, quando se refere – entre outras coisas – a um alegado conluio das corregedorias. O corporativismo que “blinda” e eventualmente produz corrupção nada mais é do que a apropriação pelos atores de papéis que pertencem ao estado e à sociedade à qual ele deveria servir.

O segredo do bom desempenho de um papel está na consciência dos seus limites. Não se pode “fazer” Julio Cesar usando um relógio de pulso. O papel não pertence ao ator, mas ao autor e ao drama. Por isso a observação feita pelo ministro Cardozo segundo a qual “é mais fácil modificar um governo do que uma cultura” é não somente correta, mas importante como um tema a ser profundamente debatido.

Do mesmo modo, o papel de ministro não é de X, Y ou Z, mas do governo e do Brasil. Todo mundo distingue teatro de política, embora haja teatro na política e vice-versa. Mas quando Hitler manda exterminar judeus ou um governo autoritário persegue opositores, isso não é teatro. No teatro, salvo acidente, ninguém morre de verdade.

Papéis sociais permitem muitas inovações. Mas aqueles que são corporativos e outorgados através de uma investidura (ou investimento – aquilo que “veste” seus ocupantes que não são atores), sobretudo os que são obtidos por nomeação ou eleição competitiva e liberal, esses fazem com seus ocupantes sejam seus “cavalos” e não os seus cavaleiros. Numa sociedade de massa, globalizada, na qual a informação circula em tempo real; numa democracia cuja bandeira é liberdade e igualdade, exige-se um mínimo de coerência institucional, e essa coerência é regulada pelo ajustamento entre as demandas dos papéis e as capacidades das pessoas que os ocupam.

A abolição da hereditariedade de papéis públicos é o fato mais básico das democracias modernas. O outro, é a sujeição à regra da lei de todos os seus membros. Não são as pessoas que mandam nos papéis, mas o justo oposto.

Sem distinguir papéis e atores ficamos prisioneiros de maquinações. A pior foi mencionada pelo ministro da Justiça. É, de fato, impossível acabar com a corrupção, desde que não se abandone a luta contra ela. No centro deste combate está a obrigação de não confundir pessoas com papéis.

Roberto DaMatta – O Globo – 07/12/2011

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ela colhia margaridas quando eu passei

Publicado por Dostoiévski | 25/01/2012 @ 17:56 em Café Dostoiévski, Literatura |

dostoyevski o sosia

intelectuais russos mortos
palavras do grande inquisidor
crime e castigo quantas páginas
amarga mágoa pobre pranto tempor que cargas-d\’água …

uma coisa triste no fundo da sala me disseram que era chopin
perante o inexorável céu aceso agregações abióticas espúrias
my so called life acabou
recordação da casa dos mortos

necrologico dos desiludidos
quem olha assim até parece fácil acreditar que
porque o ouro quando enterrado solta gases de luz
the joker i shake your groove thing so happy together

nada me demove
a poesia brinde no juizo final
por que chove tanto e você não vem?
poesia vingança “teia delicada” nenúfares

vem lá de longe a esperança
barrado no baile
a esperanca é verde como os telegramas
meu irmão pedia perdão aos passaros, parece absurdo

OBS: Feito com as pesquisas de janeiro que levaram à páginas da biblioteca, em ordem de mais visitas.

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Fire Hunter In Eternal Night

Publicado por Dostoiévski | 19/01/2012 @ 20:15 em Música |

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Sobre Xícaras, Café e Pessoas

Publicado por Dostoiévski | 02/01/2012 @ 14:47 em Café Dostoiévski, Filosofia |

Autor desconhecido

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade.

Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo. O professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras – de porcelana, plástico, vidro, cristal – algumas simples, outras caras, outras requintadas. Ofereceu o café aos seus convidados, dizendo a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o professor disse:

- Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse. Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras… e então ficaram todos de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso:

A Vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras. Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a Vida… e o tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de Vida que vivemos. Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que Deus nos deu.

Deus côa o café, não as xícaras…

Saboreie seu café!!!!!

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Tablet, por que ter um??

Publicado por Alvinei | 30/12/2011 @ 9:25 em Computação |

Muitas pessoas desejam os famosos Tablet, mas antes da compra surge a pergunta. Para que serve? Devo trocar meu notebook por um tablet? Vou realmente utilizá-lo?

A propaganda foi grande para o surgimento dos tablets, sendo um revolucionário no mundo móvel. Neste post vamos falar de um equipamento que não é um telefone, mesmo que possa fazer chamadas de voz usando softwares específicos; não cabe no seu bolso como um celular; não tem o tamanho confortável de um monitor de desktop; não é perfeito para a digitação de textos, mas mesmo assim é um sonho de consumo de grande parte da população.

Os tablets são as geringonças (gadgets) do momento. Muitos acreditam que servem somente para leituras de livros, os chamados e-readers (leitores de livros digitais). Mas eles são muito mais que isso, apresentam n recursos e aplicativos, enquanto os e-readers apenas servem para leitura de jornais, livros e revistas.

Mas afinal, então o que é um tablet e o que você pode fazer com ele?

Um tablet é um computador em forma de prancheta eletrônica, sem teclado e com tela sensível ao toque. Tablets são dispositivos que estão entre smartphones e computadores. Todos os tablets já vem com conexão Wi-Fi e alguns também usam conexão 3G.

O foco dos tablets está no acesso à internet, leitura de e-mail e edição de documentos simples. Outro grande apelo dos tablets são os aplicativos. Esses programas permitem acessar notícias e redes sociais em uma interface mais confortável, entre outras tarefas. Há aplicativos para as mais diversas funções.

É importante ressaltar que um Tablet não é um desktop ou notebook, não tem DVD, teclado ou mouse, tudo é realizado através de touchscreen e grande parte dos aplicativos não são gratuitos, além do limite de espaço que não pode ser trocado, sem falar que muitas vezes não terá comunicação com sua impressora.

Além disso, é também interessante ressaltar as limitações  com a portabilidade. Os Tablets não são tão portáteis como parece. Para levá-lo de um canto ao outro, é preciso carregar uma bolsa estranha ou capa para o aparelho; não é possível colocá-lo no bolso e esquecer que ele está lá.

A um tempo atrás a febre do momento era os chamados Netbooks, algo entre o PC e os notebooks, ninguém sabia para que iria usar, mas mesmo assim todos queriam comprar, talvez para “fazer moral” ou mostrar status, assim como hoje são os Tablets.

Enfim, creio que os Tablets vieram para ficar e são os substitutos dos Netbooks, com n novas inovações. Honestamente dúvido que os tablets substituam laptops, desktops ou smartphones em um futuro próximo, mas acretido que logo não poderemos viver sem eles.

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Nietzsche sobre a crise do Euro

Publicado por Dostoiévski | 10/12/2011 @ 12:29 em Filosofia, Literatura, Política |
Finalmente, quando como ponte entre dois séculos de decadência aparecia uma força maior de gênio e de vontade, bastante forte para fazer da Europa uma unidade, uma unidade política e econômica, com o objetivo de criar o governo do Universo, os alemães, com suas “guerras de independência”, fizeram a Europa perder o significado maravilhoso que comportava a existência de Napoleão – por isso mesmo pesa na consciência deles tudo o que se seguiu, tudo o que existe hoje, essa doença e essa sem-razão mais contrária à civilização que pudesse existir, o nacionalismo, essa neurose nacional de que a Europa está doente, essa perpetuação dos pequenos Estados na Europa, da política pequena – fizeram a Europa perder seu sentido, sua razão – eles a levaram a um impasse.

Ecce Homo

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Carros Antigos em Ponta Grossa

Publicado por Dostoiévski | 07/12/2011 @ 16:26 em Café Dostoiévski |

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A Pele que Habito, o novo filme de Pedro Almodóvar

Publicado por Bubniak | 01/12/2011 @ 18:20 em Biologia, Café Dostoiévski, TV e Cinema |

Partindo da experiência com transgenia em seres humanos, Almodóvar retrata um poderoso conflito entre essência e aparência suscitado à revelia

 

Fidelidade ao conjunto da obra

 

Em seu mais novo filme, A Pele que Habito, Pedro Almodóvar mantém forte os traços que sempre o destacaram na sétima arte

 

Tiago Luiz Bubniak

tiagoluizb@ig.com.br

 

Cientista maluco” cria uma pele mais resistente que a humana para sua amada. Muitos seguiram nessa linha para se referir ao novo filme de Pedro Almodóvar, A Pele que Habito. Mas tratando-se do diretor espanhol, nada é tão superficial assim e as metáforas afloram em todo momento. Com o título desta obra não é diferente. Afinal, é preciso levar em consideração quem – ou o que – está no interior da pele do personagem criado por Almodóvar. Convém citar o que consta no site oficial do filme: “A pele é a fronteira que nos separa dos demais, determina a raça a que pertencemos, reflete nossas raízes, sejam elas biológicas ou geográficas. Muitas vezes reflete os estados da alma, mas a pele não é a alma”. Falar mais a respeito é estragar surpresas e simplesmente comprometer a experiência fantástica que é entrar em contato com este longa do cineasta espanhol, baseado no livro Tarântula, de Thierry Jonquet.

Antonio Banderas está para Pedro Almodóvar assim como Johnny Depp está para Tim Burton. Novamente Banderas figura entre os destaques de uma obra do diretor de filmes como Labirinto de Paixões (1982), Matador (1986), A Lei do Desejo (1987), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Ata-me! (1990), Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Fale com Ela (2002), Volver (2006) e Abraços Partidos (2009). Banderas esteve presente nos cinco primeiros títulos. Desta vez o ator interpreta o cirurgião plástico Robert Ledgard. Com a finalidade de realizar experiências científicas, Ledgard mantém presa a bela Vera, vivida por Elena Anaya. Vera é, simultaneamente, cobaia e objeto de desejo do médico.

Fiel à sua filmografia, Almodóvar promove verdadeiras “viagens” na tela e abre espaço para múltiplas interpretações: motiva verdadeiras “viagens” também do lado de cá da tela grande. No cerne de tudo está um poderoso conflito entre essência e aparência suscitado à revelia de quem o vive. O espectador não demorará a identificar a referência ao clássico Frankenstein, de Mary Shelley. Sempre coerente com o conjunto de sua obra, o diretor espanhol trata da obsessão, dos relacionamentos complicados com a experiência da morte. Não falta tragicomédia. O exagero está lá e a policromia também. Cores intensas e variadas enchem as cenas. Reflexões sobre a relação masculino/feminino estão igualmente presentes, um tema já trabalhado de forma acentuada por Almodóvar em Fale com Ela.

É pesado o traço de sua assinatura nesta obra. Pedaços de vestidos estraçalhados, espalhados pelo chão e sugados por um aspirador não apenas colaboram para abrir entrelinhas. Fazem parte de uma composição que remete às artes plásticas: parece um quadro cuidadosa e poeticamente elaborado. Os fragmentos dos vestidos são sugados pelo aspirador, mas o resultado final da ideia exposta pelo cineasta permanece, gruda na memória. É aquele tipo de cena com a qual você se depara e diz, sem hesitação: “sim, isto é Almodóvar”.

Não faltam referências ao Brasil em A Pele que Habito. É o caso, por exemplo, do quadro Paisagem com Ponte,de Tarsila do Amaral, do nome Gal dado à esposa falecida do protagonista (homenagem à cantora Gal Costa) e de uma menção explícita à Bahia. Toda a história é mostrada com muitas reviravoltas, regressos no tempo e, portanto, surpresas variadas para quem assiste.

Se você não teve a oportunidade de acompanhar no cinema mais perto, procure ver quando chegar às locadoras. Este 19º longa-metragem do cineasta espanhol não permite apenas uma experiência de sentimentos à flor da pele. É visceral.

 

 

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A perversão do Capitalismo

Publicado por Dostoiévski | 30/11/2011 @ 22:02 em Cidadania, Direito, Filosofia, Política |
by NovaesHá um componente propriamente moral no capitalismo, a saber, o fato de as pessoas confiarem em suas instituições e em seus governos. No momento em que os cidadãos percebem que os governos agem preferencialmente em proveito de determinados grupos de capitalistas, com privilégios e favorecimentos dos mais diferentes tipos, começa a prosperar um sentimento de desconfiança nesses governos. Esses passam a aparecer como sendo francamente parciais, apenas voltados para atender certos interesses. Desenvolve-se a ideia de que as instituições desses países são também viciadas, pois seriam moldadas para atender aos benefícios desses poucos privilegiados e escolhidos.

Ora, o capitalismo viceja lá onde esses valores são prezados e respeitados. Uma ideia central da economia de mercado reside na responsabilização individual e empresarial. Se uma empresa não faz bons negócios ou é irresponsável, cabe a ela arcar com essas atitudes, sendo responsável por aquilo que faz. Contudo, se prospera a ideia de que algumas empresas, por seu tamanho, não podem quebrar, termina se difundindo a concepção de que há empresas e empresas, umas sendo regidas pela competição e pela responsabilidade, outras por privilégios e irresponsabilidades. O problema é aqui de monta, pois é minado um dos pilares mesmos de uma economia de mercado e da democracia.

Cria-se, desta maneira, um ambiente favorável a atitudes socialistas voltadas contra a economia de mercado, visando, então, a cercear o direito de propriedade. O capitalismo vem a ser percebido como um sistema que desiguala oportunidades e cria favorecimentos. Ocorre uma perversão do capitalismo, de seu espírito, produzida por certos capitalistas e governos, que termina criando uma predisposição favorável a seu desaparecimento. Um caldo de cultura anticapitalista é produzido pelo próprio capitalismo, erodindo as suas bases morais. (Grifo meu)

Luigi Zingales (“Capitalism after the crisis”. In: “National Affairs”) faz uma oportuna distinção entre forças pró-business e pró-mercado, dentro da própria sociedade capitalista, uma a enfraquecendo e outra a desenvolvendo.

A primeira se caracteriza por forças que lutam pelos mais diferentes tipos de privilégios e favorecimentos, baseados, por exemplo, na ideia de que certas empresas não podem quebrar, devendo os governos, logo os contribuintes, contribuir para o seu resgate. Tais atitudes estão baseadas no principio, se é que se pode utilizar essa expressão, da irresponsabilidade moral. No momento dos lucros, dizem defender a economia de mercado; no momento dos prejuízos, procuram se amparar nos governos, desprezando os mesmos princípios do livre mercado que diziam defender.

Outro exemplo dessa atitude encontra-se em favorecimentos nos financiamentos do tipo dos que são oferecidos pelo BNDES, que capta, no Tesouro Nacional, recursos que são remunerados numa taxa inferior aos financiamentos por ele concedidos, a taxas superiores. Ou seja, são os contribuintes que estão pagando para que determinados setores ou empresas sejam discricionariamente favorecidos por um banco que se apresenta como público. Outra face sua é o desenvolvimento, não apenas entre os capitalistas, mas entre os sindicatos de trabalhadores, do corporativismo, voltado, especificamente, para a concessão de privilégios. O corporativismo é a outra face do capitalismo de compadrio.

A segunda se caracteriza pela primazia de um mercado impessoal, onde, dada a sua natureza específica, não deveria haver lugar para favorecimentos particulares, quando mais não seja pelo fato de que não cabe ao governo interferir materialmente nos mercados. Digamos, para efeito de tornarmos mais clara a ideia, que o governo deveria ter, sobretudo, uma ação visando a assegurar a infraestrutura institucional, aquela, precisamente, que torna possível a impessoalidade dessas relações, a saber, o direito de propriedade, a validade dos contratos, a infraestrutura e a segurança jurídica. Ou ainda, do ponto de vista material, assegurar uma infraestrutura que favoreça a todos indiscriminadamente, como portos, rodovias, ferrovias e hidrovias.

O seu princípio, do ponto de vista moral, é a responsabilidade, cada um arcando com as consequências de suas ações, não cabendo uma transferência de responsabilidades. Maus negócios não são assegurados pelo Estado, mas são de inteira responsabilidade dos que tomaram essas decisões, não cabendo ao contribuinte pagar por isto. As forças pró-mercado teriam, então, como contraparte a responsabilidade moral. Note-se que o governo teria naturalmente menos funções, pois, ao não se imiscuir nos negócios e só regulando formalmente os mercados, o seu espaço para a concessão de privilégios também diminui. Em consequência, reduz-se também o espaço onde floresce a corrupção.

A dimensão ética do capitalismo reside na liberdade, na responsabilidade, na meritocracia, na recompensa do trabalho e do esforço, o que significa dizer que cada um deve arcar com as consequências de suas ações. Ou seja, não cabe a alguns ficar com os lucros e socializar os prejuízos, como tem sido o caso de grandes bancos, principalmente de investimentos, que foram salvos, desta maneira, da crise atual. O que o governo dos EUA fez na crise foi salvar um setor baseado em forças pró-business e esse resgate terminou causando dano ao próprio capitalismo, pró-mercado, prejudicando a economia de livre mercado, a competitividade e a responsabilidade. Logo, não haveria empresas demasiadamente grandes para falir, sendo essa, na verdade, uma bandeira pró-business, voltada para favorecer poucos, em nome de um sistema de livre mercado que essas mesmas forças pervertem. As forças pró-business estão, mais particularmente, focadas na perversão moral do capitalismo, na abolição dos seus valores, o que se traduz pela perda da adesão política ao capitalismo, que passa a ser visto como fonte de valores morais pervertidos.

Fonte: Denis Lerrer Rosenfield (professor de filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – O Globo – 21/11/2011

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